Depressão

A depressão é uma das doenças mais comuns, a nível mundial e em Portugal, afetando anualmente aproximadamente 10% da população. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que cerca de 120 milhões de pessoas no mundo inteiro sofrem de depressão, sendo que a  doença é a principal causa de invalidez e uma das causas mais frequentes de baixa laboral nos países desenvolvidos. A OMS prevê que em 2020 a depressão seja a segunda causa de incapacidade em todo o mundo. Segundo dados do estudo epidemiológico nacional de saúde mental, em Portugal, cerca de 8% da população geral sofre desta patologia. A depressão é uma perturbação psiquiátrica do humor que pode ser muito grave, causando sintomas que envolvem o  corpo, o humor, os pensamentos e os comportamentos. Afeta a forma como a pessoa se sente em relação a si própria, a forma como a pessoa pensa sobre as coisas e as pessoas que a rodeiam,  e a forma como lida com as atividades de vida diárias, como dormir, alimentar-se ou trabalhar.

Sem o tratamento apropriado, os sintomas podem manter-se durante semanas, meses ou anos; no entanto, o tratamento correto beneficia a maioria das pessoas deprimidas.

A depressão surge sob diferentes formas, tal como acontece com outras doenças, como a diabetes ou a hipertensão arterial.

A perturbação depressiva major representa a condição clássica neste tipo de perturbações. Manifesta-se por uma combinação variável de sintomas depressivos que, pela sua intensidade, interferem com a capacidade da pessoa trabalhar, estudar e divertir-se. Um episódio depressivo major pode ocorrer apenas uma vez mas, mais frequentemente, vários episódios sucedem-se ao longo da vida. Uma depressão major crónica pode levar a tratamentos mantidos por vários meses, anos ou até indefinidamente. 

Uma forma mais crónica de depressão, a perturbação depressiva persistente (distimia), caracteriza-se pela presença de sintomas depressivos com menor gravidade mas que se mantêm de forma persistente (pelo menos, dois anos). Apesar de ser menos incapacitante que a perturbação depressiva major, é um obstáculo importante ao bem-estar e ao funcionamento pleno da pessoa. É comum os doentes distímicos terem também episódios depressivos major em algum momento das suas vidas.

Se a pessoa tem experienciado alguns dos seguintes sinais ou sintomas na maioria do seu dia, quase todos os dias, por, pelo menos, duas semanas, pode ter uma depressão:

  • Humor persistentemente triste, ansioso, ou “vazio”
  • Diminuição clara do interesse em todas ou quase todas as atividades 
  • Sentimentos de desesperança ou pessimismo
  • Alterações do peso ou do apetite 
  • Fadiga ou perda de energia 
  • Agitação ou lentificação psicomotora
  • Sentimentos de desvalorização ou culpa excessiva 
  • Diminuição da capacidade de concentração ou indecisão 
  • Insónia ou sonolência excessiva 
  • Pensamentos recorrentes sobre a morte ou ideação suicida 
  • Sintomas físicos persistentes, como dores de cabeça, problemas gastrointestinais ou dor crónica que não respondem ao tratamento convencional

De notar que nem toda a pessoa deprimida experiencia todos os sinais e sintomas descritos. Algumas pessoas experienciam apenas alguns sintomas enquanto outras podem experienciar bastantes.

A maioria das pessoas deprimidas melhora com o tratamento apropriado. A escolha do tratamento vai depender do diagnóstico, gravidade dos sintomas e preferência do doente. Quanto mais cedo o tratamento puder começar, mais efetivo se torna. De uma forma geral, as depressões graves requerem uma combinação de medicamentos (antidepressivos) e psicoterapia. Só após algumas semanas é que é possível observar o completo efeito terapêutico dos antidepressivos. Depois da pessoa começar a sentir-se melhor é necessário manter o tratamento por vários meses e, nalguns casos, indefinidamente, para prevenir uma recorrência da doença.