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90 anos

Doenças Cardiovasculares

O colesterol é uma gordura essencial existente no nosso organismo, que tem duas origens: uma parte produzida pelo próprio organismo, em particular o fígado, e outra parte obtida através da alimentação, em particular pela ingestão de produtos animais, como a carne, os ovos, e os produtos lácteos. O colesterol é vital para o normal funcionamento de todas as células do nosso organismo.

Quais as consequências de ter o colesterol elevado no sangue?

Quando se tem o colesterol elevado no sangue, este pode acumular-se e depositar-se nas paredes das suas artérias, formando a chamada aterosclerose. A certa altura estes depósitos poderão crescer reduzindo de forma significativa o calibre das artérias, diminuindo a quantidade de sangue que chega aos órgãos nomeadamente ao coração e cérebro. Se estas acumulações de colesterol (também denominadas placas de ateroma) interromperem a circulação sanguínea poderá ocorrer um evento cardiovascular. Um evento cardiovascular é uma doença com sintomas agudos. Os mais frequentes são os eventos cardíacos (enfarte agudo do miocárdio, angina de peito) e os cerebrais (acidente vascular cerebral e acidente isquémico transitório).

Porque aumenta o colesterol no sangue?

O colesterol, como gordura que é, não se dissolve no sangue. É transportado por proteínas. À combinação destas com o colesterol chamamos lipoproteínas. Cada lipoproteína tem um destino específico no organismo. De acordo com esse destino assim teremos o "bom" e o "mau" colesterol. O "bom" é o colesterol que existe nas lipoproteínas denominadas de HDL (high density lipoprotein), é o colesterol que vem das artérias (onde estava em excesso) para ser eliminado. O "mau" colesterol está contido nas LDL (low density lipoprotein). Este colesterol, quando em excesso, infiltra-se nas paredes das artérias iniciando a aterosclerose.

Existe ainda um terceiro tipo de colesterol, aquele que é transportado no sangue pelas VLDL (very low density lipoprotein). Estas lipoproteínas transportam também os triglicerídeos, outra gordura cujo aumento no sangue comporta risco cardiovascular acrescido. Quando há desequilíbrio entre estes transportadores o colesterol pode aumentar.

O que causa a hipercolesterolemia?

Há um conjunto de características pessoais, denominadas fatores de risco, que podem aumentar a probabilidade de se vir a sofrer de uma doença cardiovascular. Algumas destas características (como o sexo, a idade, e as características genéticas) não podem ser modificadas. Outras (como o peso corporal, tabagismo, sedentarismo, hipertensão, etc.) poderão ser alteradas através da adoção de um estilo de vida saudável.

Os seguintes fatores de risco aumentam a probabilidade de início ou agravamento de doença cardiovascular:

• Tabaco: o fumo de tabaco danifica as paredes arteriais, tornando-as mais disponíveis para acumular depósitos de colesterol. Fumar também diminui o nível do seu colesterol "bom".
• Obesidade: ter excesso de peso ou ser obeso coloca-o em grande risco de ter colesterol elevado.
• Dieta inapropriada: faz parte de um estilo de vida saudável a adoção de uma dieta variada, nutricionalmente equilibrada, rica em legumes, leguminosas, verduras e frutas e pobre em gorduras (totais e saturadas). A gordura saturada reconhece-se geralmente pelo facto de ser sólida à temperatura ambiente. O consumo excessivo de gordura saturada está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, aumento do colesterol sanguíneo, particularmente do colesterol LDL. Assim, recomenda-se que a ingestão de gorduras saturadas não ultrapasse os 10% do valor energético total. Exemplos de alimentos ricos em gordura saturada: manteiga, queijos gordos, produtos de charcutaria gordos (chouriço, alheiras, salsichas, etc.), banha de porco, óleo de palma, óleo de coco, gordura da carne de vaca, margarinas (sobretudo as duras).
• Sedentarismo: o exercício físico sobe o seu colesterol "bom" (c-HDL), e diminui o seu colesterol "mau".
• Pressão arterial elevada (ver capítulo de Hipertensão Arterial): a pressão arterial aumentada danifica as artérias, o que acelera a aterosclerose.
• Diabetes: a glicose (açúcar) elevada no sangue contribui para um aumento do colesterol das LDL e diminuição do colesterol das HDL, para além de lesar a parede das artérias.
• História familiar de doença cardíaca: a existência de antecedentes familiares, em familiares de primeiro grau, de doença coronária prematura (antes dos 55 anos nos homens e 65 anos nas mulheres) aumenta a probabilidade de doença cardiovascular de causa aterosclerótica.

Que valores de colesterol são considerados normais?

Deve ser guardado um período de jejum de 9 a 12 horas (sem beber ou comer) antes da medição do colesterol sanguíneo. O colesterol total (a soma do colesterol LDL e HDL) deve ser, na maioria dos casos, inferior a 190 mg/dl.

Na atualidade acredita-se que o valor do colesterol LDL reflete com maior rigor o risco cardiovascular decorrente do excesso de colesterol em circulação. Este parâmetro é ainda usado para verificar se as medidas terapêuticas adotadas estão ou não a ser eficazes.

Os valores ideais de colesterol LDL variam, em função do risco cardiovascular total, entre 70 mg/dl e 115 mg/dl. Deve ser mantido abaixo dos 70 mg/dl em situações de muito alto risco como:

- Doença aterosclerótica das artérias coronárias (angina ou enfarte) ou das artérias cerebrais (acidente vascular cerebral ou acidente isquémico transitório).
- Diabetes com complicações
- Insuficiência renal

Como se trata o colesterol alto?

O colesterol elevado no sangue (hipercolesterolemia) é prevenível e tratável. As mudanças no estilo de vida são a primeira linha de defesa contra o colesterol elevado:

• Perda de peso, devendo o médico orientar sobre a melhor estratégia a seguir.
• Adoção de uma alimentação equilibrada.
• Prática regular de exercício. Nas situações de excesso de peso ou em situações de peso normal, o exercício físico pode ajudar a reduzir o colesterol "mau", bem como a subir os níveis do seu colesterol bom. O médico pode aconselhar sobre o tipo de exercício físico mais indicado.
• Evicção tabágica. Parar de fumar melhora o c-HDL.
• Beber álcool com moderação.

Para além destas mudanças de estilo de vida poderá ser necessária a toma de medicamentos.
Os medicamentos devem ser tomados de acordo com as indicações médicas. Habitualmente, a medicação para o colesterol deve ser mantida durante toda a vida. Caso surja algum efeito adverso, o mesmo deve ser discutido com o médico para decidir qual a melhor forma de o resolver.

A hipertensão arterial é uma doença crónica que afecta quase 25% da população adulta mundial, ou seja, um em cada quatro indivíduos.

Mas o que é a pressão arterial?

Todas as células do nosso organismo necessitam de oxigénio e de nutrientes que são transportados pelo sangue para se manterem vivas e funcionantes. Para que isto aconteça, o coração tem de se contrair com força suficiente para impulsionar o sangue através de uma série de tubos, as artérias, até às células do nosso corpo. A esta força de pressão com que o sangue é bombeado pelo coração chamamos pressão arterial. A pressão arterial é determinada pela quantidade de sangue que o seu coração bombeia e pela resistência que as suas artérias oferecem ao fluxo sanguíneo. Assim, quanto mais sangue o seu coração bombear, e quanto mais estreitas forem as suas artérias, mais alta será a sua Pressão Arterial.

Porque é que os valores de pressão arterial variam tanto?

A força ou a pressão com que o sangue é bombeado pelo seu coração varia de momento para momento: quando estamos de pé, deitados, a comer, enfim, varia de acordo com as acções do nosso dia-a-dia. Varia inclusive com as estações do ano e à medida que envelhecemos. É por este motivo que quando vai medir a sua pressão arterial obtém sempre valores diferentes! Isto é absolutamente normal, e não quer dizer que a pressão foi mal medida ou que o aparelho usado não esteja a funcionar bem!

O que é a pressão arterial mínima e máxima?

A pressão arterial é mais elevada quando o coração bombeia o sangue e diminui quando o coração relaxa entre batimentos. Assim se explica a existência de um valor máximo e de um mínimo. Imagine que o seu Médico lhe diz que tem a pressão arterial a "12/8": a forma mais correcta será dizer que tem 120 mmHg (milímetros de mercúrio) de pressão sistólica (máxima) e 80 mmHg de pressão diastólica (mínima). A forma como geralmente é representada é 120/80 mmHg.

Qual o valor normal para a pressão arterial?

Hoje em dia aceita-se como valor normal da pressão arterial até aos 129/84 mmHg, definindo-se como valor normal-alto até 139/89 mmHg. A Hipertensão nos adultos é uma doença caracterizada por valores de pressão arterial superiores a 140/90 mmHg.

Que valores de pressão arterial são normais para mim?

A pressão arterial deve ser reduzida para valores abaixo dos 140/90 mmHg, ou ainda mais baixos, desde que o doente tolere. No caso de ser diabético, ou já ter tido um acidente vascular cerebral, um enfarte do miocárdio, ser insuficiente renal ou ter perda de proteínas na urina (proteinúria), a sua pressão arterial deve ser mais baixa do que os 130/80 mmHg.

Porque tenho Hipertensão Arterial?

Na maior parte dos casos, a causa da Hipertensão Arterial é desconhecida, e classifica-se como "primária" ou "essencial". Em apenas alguns casos (menos de 10%), a Hipertensão tem causas identificáveis, tais como doenças dos rins ou das artérias renais, algumas doenças endócrinas (da glândula supra-renal ou da tiróide), ou a utilização de alguns fármacos. Neste caso falamos em Hipertensão arterial secundária, que tem de ter um tratamento especial e que por vezes tem cura.

Mas, claro que certas circunstâncias podem aumentar a probabilidade de ter Hipertensão Arterial. Estas são conhecidas como factores de risco. Existem factores de risco modificáveis e não modificáveis: tal como o nome indica, podemos fazer algo para alterar os primeiros, mas os segundos são condições inalteráveis, como é o caso da predisposição hereditária (familiares com Hipertensão), idade avançada, raça negra ou sexo masculino. Claro que, se já tivermos esta predisposição para sermos hipertensos, se fornecermos ao nosso organismo outros factores de risco modificáveis, vamos antecipar e agravar o aparecimento da hipertensão: comer com demasiado sal e gorduras, comermos pouca fruta fresca e vegetais, engordar, não fazer exercício físico, ingerir álcool em excesso e fumar aumentam o risco de Hipertensão!

A hipertensão "sente-se"? Que mal tem ser hipertenso?

Na maioria dos casos a Hipertensão não produz sintomas pelo que o doente pode não perceber que tem a doença. Em alguns casos, quando a pressão arterial sobe para valores significativos, pode causar sintomas como tonturas, visão enevoada, dor de cabeça, confusão, sonolência e falta de ar.

Se a pressão do nosso sangue for continuadamente alta, as nossas artérias adoecem, tornam-se rígidas, e no seu interior formam-se placas de gordura, a chamada aterosclerose. Como se percebe, o sangue vai passar com dificuldade por estas artérias "entupidas" até as células do coração, originando a angina de peito, ou até mesmo o enfarte do miocárdio (a parte muscular do coração). Se as artérias se rompem ou não conduzem o sangue até às células do cérebro, surgem as hemorragias e as tromboses cerebrais (AIT- acidente isquémico transitório; AVC- acidente vascular cerebral). Mas este efeito do aumento da pressão pode sentir-se em todas as artérias do nosso corpo: rins, olhos (retina), artéria aorta (aneurismas) e nos membros inferiores.

Como posso saber se sou hipertenso?

A única maneira de saber se é ou não hipertenso é através da medição da pressão arterial, que é rápida e indolor. É bom hábito medir a pressão arterial de forma regular e registar os valores num papel para mostrar ao seu Médico. Uma única medição acima dos 140/90 mmHG indica que a pressão está alta naquele momento, mas não é suficiente para diagnosticar Hipertensão. Para este diagnóstico, é normalmente necessário repetir a medição em diferentes circunstâncias e durante determinado período de tempo, que o seu Médico determinará caso a caso. É ainda possível que o seu Médico lhe peça um exame designado por MAPA (monitorização ambulatória da pressão arterial), que serve para registar a pressão arterial ao longo de 24 horas, e assim determinar se é ou não hipertenso, já que muitos doentes apresentam valores muito elevados de pressão arterial no consultório médico, sem que sejam hipertensos -  a chamada "Hipertensão da bata branca".

Como se trata a Hipertensão arterial?

Para manter a pressão arterial dentro dos valores normais, é importante adoptar um estilo de vida saudável; quando as mudanças de estilo de vida não permitem por si só baixar os valores da pressão arterial, o seu Médico irá associar a essas medidas a medicação mais adequada ao seu caso.

Que cuidados gerais devo adoptar para baixar a pressão arterial?


• Coma alimentos saudáveis

Uma das dietas preconizadas para o doente Hipertenso é a dieta DASH (Dietary Approches to Stop Hypertension), um conjunto de medidas dietéticas que comprovadamente ajudam a baixar a pressão arterial, e preconizam o aumento do consumo de frutas, vegetais, grãos inteiros (pão rico em cereais, cereais, arroz e massas - 6-8 porções diárias) e leite e derivados lácteos pobres em gordura, bem como a diminuição da ingestão de gorduras, sobretudo as saturadas (tipo de gordura encontrado principalmente em produtos de origem animal -carne e pele das aves- leite e derivados- manteiga, iogurte e nata).

• Diminua a ingestão de sal na sua dieta

É aconselhável diminuir o sal na alimentação. O sal é composto por cloreto de sódio, e o sódio aumenta a pressão arterial. Apesar de 2.4 g/dia de sódio serem o limite superior de ingestão de um indivíduo saudável, um hipertenso só deve consumir 1.5 g/dia para verificar um efeito drástico na sua tensão arterial.

• Mantenha um peso saudável: se tiver excesso de peso, procure o seu Médico assistente.
• Aumente a sua actividade física: a actividade física diária pode ajudar a descer a sua pressão arterial e a manter o seu peso sob controlo. Tente pelo menos fazer 30 minutos de actividade física diária. Fale com o seu Médico: ele indicar-lhe-á qual o exercício adequado para si.
• Limite o consumo de álcool: mesmo nas pessoas saudáveis o álcool eleva os valores da pressão arterial. Se escolher continuar a consumir álcool, faça-o com moderação: 1 bebida por dia de for mulher ou tiver mais de 65 anos de idade, e até duas se for homem.
• Não fume! O tabaco lesa as paredes dos vasos sanguíneos e acelera o processo de rigidificação das artérias. Se fuma, peça ajuda ao seu Médico para parar!
• Reduza o stress o mais possível.
• Vigie a pressão arterial em casa: a medição da pressão arterial no domicílio permite-lhe seguir de perto a evolução da sua doença e verificar se a medicação está a surtir efeito, ajudando à avaliação do seu Médico assistente.
• Não falte a nenhuma consulta médica: é necessário um verdadeiro esforço de equipa para tratar a Hipertensão Arterial com sucesso. Nem você, nem o seu Médico não o podem fazer sozinhos. Ajude o seu Médico a descer a sua pressão arterial até ao nível ideal, e faça a sua parte para a manter!
• Acima de tudo, siga os conselhos do seu Médico! Tome os seus medicamentos tal como este lhe indicou. Se os efeitos laterais ou o preço forem problema, não pare de tomar a medicação: informe-se prontamente com o seu Médico!


Encontre aqui informações sobre esta doença.

Definição

A Diabetes é uma doença crónica em larga expansão em todo o mundo. Segundo os números da International Diabetes Federation (IDF)  prevê-se que em 2030 cerca de 438 milhões de pessoas sofram de Diabetes, um aumento de cerca de 54%! Aproximadamente 3,8 milhões de pessoas morrem todos os anos por Diabetes ou por causas com ela relacionadas.

Mas, o que é a Diabetes?

A Diabetes mellitus compreende um grupo de doenças que afectam a forma como o nosso organismo usa a glicose presente no sangue, comummente chamada de “açúcar”. A glicose é vital, já que se trata da principal fonte de energia, “combustível”, que as células do nosso corpo utilizam.
Se tiver Diabetes, isso significa que tem demasiada glicose no seu sangue, que pode conduzir a complicações gravíssimas para a sua saúde.


Que tipos de Diabetes existem?

Entre outras, este grupo de doenças inclui a Diabetes tipo 1 e a Diabetes tipo 2. Outras alterações potencialmente reversíveis são a Pré-Diabetes (quando os seus níveis de glicose estão mais elevados do que o normal, mas não suficientemente altos para se considerar que se tem Diabetes), e a Diabetes Gestacional, que ocorre durante a gravidez.
A Diabetes tipo 1 é uma doença crónica em que o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina, uma hormona necessária para que a glicose entre nas células e produza energia. Aparece tipicamente na infância e adolescência, mas pode desenvolver-se em qualquer idade.


O que é e quais as causas da Diabetes tipo 2?

A Diabetes tipo 2, o tipo mais comum de Diabetes, ocorre quando o organismo se torna “resistente” aos efeitos da insulina, ou não produz insulina suficiente para manter dentro da normalidade os níveis de glicose no sangue. Pode desenvolver-se em qualquer idade e é muitas vezes prevenível.
Mas, o que é a insulina? Como funciona a glicose? A glicose provém de duas grandes fontes: a comida que ingere e o seu próprio fígado. Durante a digestão a glicose é absorvida para a corrente sanguínea. Normalmente, a glicose passa do sangue para o interior das células com a ajuda da insulina. A insulina é uma hormona produzida no pâncreas, um órgão localizado logo atrás do seu estômago. À medida que a insulina circula no nosso sangue, funciona como uma verdadeira “chave” que abre portas microscópicas permitindo que a glicose entre nas células, funcionando como fonte de energia. Quando o seu nível de glicose sanguínea desce, também a secreção de insulina pelo pâncreas desce.
O fígado funciona como “armazém” e “fábrica” de glicose. Por exemplo, quando está sem ingerir alimentos há muito tempo, o seu fígado liberta glicose para manter os níveis desta estáveis no sangue.

Na Diabetes tipo 2 todo este processo funciona de forma deficitária, e em vez da glicose entrar nas células, acaba por se acumular no sangue; esta subida de glicose no sangue, típica da Diabetes, designa-se por hiperglicemia.


É possível prevenir a Diabetes?

A escolha por uma vida saudável pode prevenir a diabetes. Mesmo que tenha familiares com esta doença, uma dieta e exercício físicos adequados, e a perda de peso – no caso de o ter em excesso - podem ajudar a preveni-la.


A Diabetes tipo 2 “sente-se”?

Os sintomas da Diabetes tipo 2 podem desenvolver-se muito lentamente. Na realidade, podemos ter este tipo de Diabetes durante anos sem sabermos. Eis alguns sintomas:
 - Urinar em grande quantidade e mais vezes;
 - Sede constante e intensa;
 - Fome constante e difícil de saciar;
 - Sensação de boca seca;
 - Perda de peso;
 - Fadiga;
 - Visão turva;
 - Comichão no corpo.


Quais as complicações da Diabetes tipo 2?

As complicações da Diabetes podem ser classificadas em agudas ou crónicas. As complicações agudas são aquelas que acontecem repentinamente; o organismo não tem tempo para se adaptar, e o diabético sente-se “doente”, queixando-se de múltiplos sintomas. Já as complicações crónicas vão-se estabelecendo gradualmente ao longo do tempo.
As complicações agudas são graves, e directamente relacionáveis com os valores de glicose no sangue. Incluem: cetoacidose diabética, que é mais comum na Diabetes tipo 1 e resulta da degradação de ácidos gordos em cetonas quando já não existem mais reservas de glicose no organismo para fornecimento de energia às células; coma hiperosmolar hiperglicémico não-cetónico, geralmente associado a deficiência de insulina e desidratação; e a hipoglicemia, habitualmente causada por um excesso de insulina ou medicação oral utilizada no tratamento da hiperglicemia. Todas estas situações são emergências que devem ser tratadas prontamente.

A Diabetes tipo 2 pode ser silenciosa, sobretudo nos estádios iniciais, em que o doente se sente bem, não apresentando quase nenhuma das queixas referidas acima. Mas, de forma igualmente silenciosa, a Diabetes vai originando complicações crónicas em vários órgãos, incluindo o coração, vasos sanguíneos, nervos, olhos e rins. Controlando eficientemente os níveis de glicose no sangue é possível prevenir estas complicações.

Ainda que se desenvolvam de forma lenta e gradual, estas complicações crónicas da Diabetes podem ser incapacitantes e até mesmo fatais. Incluem, entre outras:
 - Doença cardiovascular: a Diabetes aumenta dramaticamente o risco de vários problemas cardiovasculares, incluindo doença arterial coronária, por vezes originando dor no peito (angina), enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, estreitamento das artérias (aterosclerose) e elevação da pressão arterial.
 - Neuropatia diabética: o excesso de glicose pode causar lesões em pequenos vasos sanguíneos denominados capilares, que são responsáveis por irrigar os nervos. Estas lesões podem manifestar-se sob a forma de sensação de “formigueiro”, “adormecimento”, queimor ou dor, que geralmente se inicia nas pontas dos pés ou dedos e depois se estende de forma ascendente nos membros inferiores. As lesões dos nervos que controlam a digestão podem causar problemas como náuseas, vómitos, diarreia e obstipação. A disfunção eréctil é também um problema frequente nos homens diabéticos.
 - Nefropatia diabética: os rins contêm milhões de pequenos “novelos” de vasos sanguíneos que filtram o nosso sangue, podendo a Diabetes lesar este delicado sistema. Quando a lesão é grave, pode ocorrer falência renal ou doença renal terminal, necessitando o doente de diálise ou de transplante renal.
 - Retinopatia diabética: a Diabetes pode lesar os vasos sanguíneos da retina, potencialmente conduzindo à cegueira. Outras alterações frequentes são as cataratas e o glaucoma.
 - Pé diabético: quer as lesões dos nervos (neuropatia), quer a má circulação sanguínea (vasculopatia) dos pés podem conduzir a várias complicações. As feridas que aparecem nos pés, sem sensibilidade e com circulação de sangue deficiente – pés diabéticos – infectam facilmente e são difíceis de tratar, podendo acabar em amputação do(s) dedo(s), pé(s) ou perna(s).


Como se trata a Diabetes tipo 2?

O tratamento da Diabetes tipo 2 normalmente engloba:
 - Educação da Pessoa com Diabetes, que inclui a auto-vigilância e o auto-controlo da Diabetes através de testes ao sangue feitos de acordo com a indicação do seu Médico/Enfermeira assistente, e que permitem o ajuste da alimentação e da sua medicação que o seu Médico fará quando for à próxima consulta;
 - Alimentação adequada;
 - Exercício físico diário;
 - Medicamentos: anti-diabéticos orais sob a forma de comprimidos ou, quando necessário, insulina.

Para manter a glicose sanguínea dentro dos valores normais, é importante adoptar um estilo de vida saudável; quando as mudanças de estilo de vida não permitem por si só baixar os valores da glicemia, o seu Médico irá associar a essas medidas a medicação mais adequada ao seu caso.
Os comprimidos para tratar a Diabetes só poderão ser receitados pelo seu Médico, e não deverá deixar de os tomar ou alterar qualquer aspecto da toma sem o seu conhecimento prévio. Ao longo da sua vida muito provavelmente o seu Médico irá alterando o número de comprimidos que toma durante o dia para controlar a sua glicose sanguínea de forma cada vez mais eficaz. Contudo, apesar de aderir a um rigoroso plano dietético, praticar exercício físico e tomar os seus comprimidos conforme instruções médicas, a sua Diabetes pode não estar controlada. Nessa altura torna-se necessário iniciar insulina, sozinha ou com comprimidos.