
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção aguda do parênquima pulmonar. Habitualmente, é acompanhada de alterações auscultatórias, apresentando o doente sintomas respiratórios e sintomas gerais variáveis. Estima-se que a incidência de PAC possa atingir 11,6/1000 indivíduos por ano, aumentando com a idade (aos 65 anos, até 44/1000 indivíduos por ano) e com a existência de co-morbilidade. A mortalidade por PAC é de 1 a 3%, aumentando para 6 a 24% em doentes hospitalizados e para 22 a 57% em Unidades de Cuidados Intensivos.
Os sintomas mais comuns de pneumonia são a tosse produtiva com expectoração, dores no tórax, febre, arrepios e falta de ar. Estes sintomas estão habitualmente muito relacionados com a extensão da doença. A auscultação pulmonar dos doentes com pneumonia apresenta habitualmente uma modificação característica da transmissão dos sons.
Na maioria dos casos, o diagnóstico confirma-se através de uma radiografia ao tórax. Podem, também, ser efectuados exames bacteriológicos da expectoração e do sangue, com o fim de identificar o microrganismo responsável. No entanto, em metade dos indivíduos com pneumonia não se chega a identificar o agente causal.
O Streptococcus pneumoniae é o principal microrganismo implicado na PAC, sendo responsável por um número de casos que pode atingir os 66%. É também responsável por cerca de 2/3 das mortes por pneumonia. Outros patogéneos usuais estão listados no Quadro 1.
Quadro 1- Etiologia da pneumonia adquirida na comunidade
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Doentes tratados em ambulatório |
Doentes tratados em ambiente hospitalar |
Lares de 3ª idade |
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Mycoplasma pneumoniae |
Streptococcus pneumoniae |
Streptococcus pneumoniae |
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Chlamydia pneumoniae |
Microrganismos atípicos |
Bacilos Gram-negativos |
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Streptococcus pneumoniae |
Haemophilus influenzae |
Staphylococcus aureus |
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Haemophilus influenzae |
Bacilos Gram-negativos |
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A terapêutica antibiótica inicial é, normalmente, empírica. A escolha do antibiótico depende de numerosas variáveis, nomeadamente da gravidade da doença, idade do doente, sintomas, co-morbilidade, medicação concomitante, contexto epidemiológico, contactos com outros doentes ou com um tipo de ambiente específico e intolerância a um determinado antibiótico ou seus efeitos secundários. Existem guidelines publicadas por várias Sociedades Médicas e em diferentes países para o tratamento empírico da PAC, mas tem-se verificado que essas normas nem sempre são cumpridas e que os antibióticos mais utilizados na PAC variam de região para região.
O antibiótico ideal para iniciar uma terapêutica empírica da PAC deverá ser aquele que se revele eficaz contra os agentes etiológicos mais importantes, ou seja, os pneumococos (incluindo os resistentes à penicilina), H. influenzae e microrganismos atípicos intracelulares.
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